O SINO DA ALDEIA porque avisar é preciso
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sábado, 14 de dezembro de 2013

CRONIQUETA SEMANAL - «O TEMPORA, O MORES !»



Marco Túlio Cícero (106 a.C. - 43 a.C.), cônsul de Roma, era um advogado, político, filósofo, orador e escritor romano. Para muitos, o maior mestre de civismo conhecido no Ocidente. Dedicava-se a promover o amor à pátria, a decência e o servir a Roma. Entre os seus brilhantes discursos destacam-se “As Catilinárias”, quatro discursos contra Catilina, um político romano derrotado nas eleições ao cargo de cônsul nas eleições de Julh...o de 64 a.C. assim como nas de 63, ano em que Cícero foi eleito cônsul.
Cícero fora informado de que Catilina tinha tudo preparado para um golpe contra a República. Sem perder tempo e com determinação, reuniu no dia seguinte os senadores no Templo de Júpiter, em Roma, e quando Catilina apareceu interpelou-o directamente: “Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência?” (...) e continuou: “Por quanto tempo ainda há-de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos haverá de precipitar a tua audácia sem freio?”.
Mais adiante nesse mesmo discurso, Cícero pronunciou a frase que ficou famosa como a expressão mais honesta e contundente da indignação perante a corrupção, a deslealdade, a falta de carácter, a ameaça a uma nação que queria viver com decência e dignidade. Cícero clamou em alta voz: O tempora, o mores! Em português: “Que tempos os nossos! E que costumes!”.

Hoje, em Portugal, quem é Cícero? Quem é Catilina?

O que está a ocorrer na cena política nacional encontra nos velhos reformados e pensionistas, nos jovens obrigados à emigração, nos desempregados, nos pobres e na classe média à beira da extinção a voz de Cícero: “Oh tempos, oh costumes!”. Sim, como Cícero procuramos entender onde estão o respeito, a honestidade, a decência, a probidade, o patriotismo das pessoas que ocupam cargos políticos. Falta-nos um novo Cícero no palco político; audaz, honrado, competente, culto, humanista e patriota. Não se vislumbra na hesitante, repetitiva e pífia oposição ninguém com tais atributos. Antes se assiste a uma mera retórica de cordel, à vacuidade de ideias, a tolejos anódinos que em nada contribuem para a esperança em dias melhores.

E quem é o Catilina dos nossos dias? Não hesito em apontar o dedo aos governantes e aos políticos funcionários dos partidos, e também aos sectores da sociedade que estão saqueando a nação. Eles fazem da trama e do embuste o meio para roubar e locupletar-se com golpes e fraudes nos mais variados campos da vida pública.
Por isso, a exclamação indignada de Cícero é tão actual: “O tempora, o mores!” “Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda há-de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos haverá de precipitar a tua audácia sem freio?”

- por Jorge MPG Sineiro, Dez. 2013 - Por decisão pessoal, não escrevo segundo o novo acordo ortográfico.


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ERROS FREQUENTES NA LÍNGUA PORTUGUESA – Letra M



M - Consoante que se dobra nos advérbios de modo formados a partir de adjectivos terminados em “m” (comummente, ruimmente).

MACIÇO...e não "massiço" nem "massivo”

MACRO - Os compostos de macro nunca levam hífen, excepto se a palavra seguinte começar por “r”. (Macroeconomia, mas… macro-região; excepção à regra: macro-história).


MAGNATA ...o m.q. M...AGNATE. 


MAIS BEM/MAIS MAL - 1. Antes de adjectivos-particípios, utilizam-se, de preferência, estas formas dos advérbios bem e mal ("Mais bem alimentado", "Estas paredes estão mais bem pintadas do que as outras".) 2. Em caso de posposição, porém, só se empregam as formas sintéticas dos respectivos comparativos ("As paredes das salas estão pintadas melhor do que as do quarto".) – CUIDADO !

MAJESTADE...e não "magestade". CUIDADO!

MAL - Prefixo que obriga ao emprego do hífen apenas antes de vogal e “H” [mal-afamado, mal-entendido, mal-estar (e não "mau estar"), mal-humorado (e não "mau-humorado"); mas… malcheiroso, maldisposto. CUIDADO!!!

MANDADO...de captura. CUIDADO!

MANDATO... eleitoral... judicial. CUIDADO!

MANJERICO...e não "mangerico". CUIDADO!

MANJERONA...e não "mangerona".

MANTÉM-SE ...e não "mantem-se", pl: mantêm-se (e não "manteem-se"). CUIDADO!

MAQUETA ...e não "maquete"(um neologismo). 

MAXI ...sem hífen e dobrando o ”s” se a palavra seguinte começa por “s” (maxissaia)

"MEDIA" - Plural da palavra latina "MEDIUM" (e não o "media/os" "medias"). Inaportuguesável (órgão de comunicação social), ao contrário do derivado MEDIÁTICO. “MEDIA pronuncia-se "mé-di-a" — e não "mídia", à inglesa. CUIDADO!

MEGA ...também sem hífen (megahertz, megalómano, megatonelada,…) 

META - Prefixo que nunca precede hífen (metafísica, metalinguagem, metapsíquico), excepto antes de “h”.

METEORO/METEOROLOGIA ...e não "metereologia". CUIDADO!

MICRO - Prefixo que nunca emprega hífen, duplicando “r” ou s” se a palavra seguinte começa por essas letras (microempresa, microcirurgia, microonda, microrregião…) 

MINERALOGIA – estudo dos minerais; diferente de MINERALURGIA (arte de aplicar os minerais à indústria, tirando deles o maior proveito) 

MISCIGENAÇÃO - mistura de raças, de povos de diferentes etnias, ou seja, relações inter-raciais …e não "miscegenação".

MISOGINIA/MISÓGINO - aversão a tudo que é ligado ao feminino e às mulheres/Quem demonstra ou denota misoginia; quem sente repulsa ou aversão a mulheres. ...e não "misogenia"/"misógeno". CUIDADO!

MORFO - prefixo que significa “forma” ...sem hífen (morfologia, morfografia,…). 

MOTO ...sem hífen e duplicando a consoante inicial da palavra seguinte se esta for “s” ou “r” (motobomba, motociclismo, motonáutica, motosserra, motorreactor).

MULTI ...também sempre sem hífen no caso de conceitos autónomos, duplicando o ”s” ou o “r” da palavra seguinte (multissecular, multirracial). 

AOS POUCOS, COMO PODEM VERIFICAR, VENHO ESCREVENDO SOBRE O EMPREGO DO “HÍFEN”.

- recolha e notas de Jorge MPG Sineiro, Dez. 2013

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sábado, 7 de dezembro de 2013

«CRONIQUETA SEMANAL» - A PROVA DE AVALIAÇÃO DE CONHECIMENTOS E CAPACIDADES (DE NUNO CRATO)




Uma reforma séria e frutuosa de um sistema educativo tem de começar pela base. Assim se constroem os edifícios. Se o ministro Crato entende que os candidatos a professores de carreira não sabem planear as aulas, escrever em português segundo o novo acordo ortográfico (uma exigência da prova !), resolver problemas em contextos não disciplinares; se tem dúvidas quanto às suas capacidades na leitura e interpret...ação de textos de diversas tipologias,… então, Crato deveria revolucionar todo o sistema da formação dos candidatos e da formação dos formadores, e dos curricula dos cursos que dão acesso ao ensino, antes de fazer pagar 20 euros – absurda e miserabilista decisão – para a realização de duas provas ridículas e inúteis que, basta ler os exemplos dos itens apresentados pelo Instituto de Avaliação Educativa I.P. (IAVE) para a prova da “componente comum”, mais se assemelham a questões de testes psicológicos adequados para adolescentes e que são resolvidos sem grande dificuldade por alunos do 9º/10º ano.
Deixo o link para “o padrão da prova” e convido-vos a que respondam aos 10 itens exemplificativos dos 32 que constituem a prova e que valem 80% da classificação, sendo os restantes 20% destinados a uma “composição” jactantemente apelidada de “Item de Construção (resposta extensa orientada)”. Leiam, que vale a pena! http://downloads.expresso.pt/expressoonline/PDF/Inf_Prova_Comum_2013.pdf

No “GUIA DA PROVA”, provindo do M.E.C., (http://downloads.expresso.pt/expressoonline/PDF/GuiaPACC.pdf)
pode ler-se em português ao abrigo do novo e inconcebível A.O.: “A prova destina-se a quem sendo detentor de uma habilitação profissional para a docência e, não tendo ingressado na carreira docente, pretenda candidatar-se ao exercício de funções docentes nos concursos de seleção e recrutamento de pessoal docente num ou mais grupos de recrutamento, previstos no Decreto-Lei n.º 27/2006, de 10 de fevereiro, no âmbito dos estabelecimentos públicos de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário na dependência do Ministério da Educação e Ciência.”
(Chamo a atenção para a colocação ERRADA da vírgula logo na primeira frase. Correcto seria: “A prova destina-se a quem, sendo detentor de uma habilitação profissional para a docência e não tendo ingressado na carreira docente, pretenda candidatar-se...”)

Crato fez recuos depois de anunciar que nada viria a ser alterado. Dialogou com uma central sindical, não dialogou com outra e… alterou. A prova, inicialmente obrigatória para todos os professores com menos de 15 anos de serviço que pretendessem ingressar na carreira docente, passou para aqueles com menos de 5. A média final para aprovação, que era de 14 valores, baixou para 10. Com este modus operandi, Crato dividiu os sindicatos e terá evitado uma greve geral de professores. Logo aqui se viu a real importância que ele dá às provas.
Acontece ainda que muitos destes candidatos ao ingresso na carreira docente possuem anos de serviço no ensino, foram professores contratados a preço barato pelo M.E.C. , são portadores de habilitações profissionais para a docência, a grande maioria tem uma licenciatura, um mestrado, e alguns, até, um doutoramento. Foram já reavaliados diariamente pelos alunos (os nossos melhores juízes!), pelos colegas, pelos coordenadores e orientadores de estágio, pelos próprios encarregados de educação. Não pertencem ainda aos quadros do Ministério por diversas razões, umas próprias (recusando lugares longe da família e/ou nas chamadas escolas de risco) e outras porque o Ministério não foi abrindo vagas, preferindo pagar menos a pessoal qualificado, mas contratado, ou seja, sem vínculo ao Estado. É essa gente, maioritariamente, que agora se sente humilhada e manifesta a sua indignação. Foi a essa gente que o Ministério já reconheceu competência, mas apenas enquanto contratados. É leviano, portanto, querer-se fazer acreditar que “os professores não querem ser avaliados”.
O ministro da tutela sujeita agora muitos dos que já serviram o ensino público a “provas de avaliação de conhecimentos e capacidades”. Quem as elaborou? Quem as irá vigiar? Quem as corrigirá? Os mesmos formadores das ESE (Escolas Superiores de Educação) que ao longo dos anos têm dado formação na “profissionalização em serviço” e que aprovaram, até com altas classificações, professores dos quadros que nem se sabiam exprimir num português aceitável, tendo eu ouvido muitos colegas dizer repetidamente “pérolas” como: “dissestes”,” há-des”, “houveram muitas coisas”, …? Ou serão estas provas corrigidas, avaliadas, por comissões ad hoc que se passeiam há anos pelos corredores do Min. Educ. e Ciência nunca tendo exercido a nobre, desgastante e difícil profissão de professor?

Crato pretende destruir o ensino público, isso já todos percebemos. Com o cheque-ensino, já ensaiado e abandonado em outras paragens, nada mais quer do que reduzir o número de alunos nas escolas públicas e, com tal prática, reduzir a necessidade permanente de professores, reduzir custos. Porém, é sabido que os estabelecimentos de ensino privados só aceitam os melhores alunos. O ensino público passará a ser um gueto para os miúdos com mais dificuldades de aprendizagem e provenientes dos estratos sociais menos instruídos. Haverá, então, um ensino para ricos e intelectualmente mais dotados e outro para pobres e menos dotados ou interessados em aprender.
O ensino universal e tendencialmente gratuito, consagrado na Constituição, está ferido de morte. Nuno Crato não será esquecido pela História como o ministro que lhe deu a estocada final.

- artigo de opinião de Jorge MPG Sineiro, redigido, por livre opção, com desprezo pelo A.O. de 1990


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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

ERROS FREQUENTES NA LÍNGUA PORTUGUESA – Letra L



 LÂMPADA FLUORESCENTE …e não “lâmpada florescente”

LAÇADA/LAÇO – (um tipo de nó) - Dif. de LASSADA e LASSO (Part. Pass. do verbo “lassar”, tornar lasso/a, solto/a e FROUXO, LARGO, POUCO APERTADO)

LATINISMOS - Algumas expressões latinas mais utilizadas: "ad hoc" - para isso, para tal fim, de propósito; "a posteriori" - pelas razões que vêm depois; "a priori" - pelas razões anteriores; "deficit" - falta; défice; saldo negativo num orçamento; "ex aequo" – em igualdade, com igual mérito; "facies" - aspecto, semblante, expressão; "grosso modo" - de modo grosseiro, por alto, pouco mais ou menos; "honoris causa"- a título de honra; "ibidem" - aí mesmo (quando se faz uma citação de um livro já citado); "idem" - o mesmo; "in loco" (no lugar, no mesmo lugar); "ipsis verbis" - pelas mesmas palavras; "lapsus linguae" - lapso de língua (para justificar uma falta); "lato sensu" - em sentido lato; "motu proprio" - espontaneamente; "per capita" - por cabeça; "sine die" - sem dia, sem data fixa; "sine qua non" - condição (sem a qual, não) indispensável; "statu quo" - o estado em que as coisas estão; "stricto sensu" - em sentido estrito; "superavit" - saldo positivo, excesso; "urbi et orbi" - por toda a parte (à cidade e ao mundo); "numerus clausus" (número fechado, limitado).

LAZER...e não "laser". Dif. de laser (raio laser)

LÊEM...e não "lêm”. (tal como “vêem”, 3ªpess.pl. do Pres. Indic. do verbo “ver”… e não “vêm”, 3ªpess.pl. do Pres. Indic. do verbo “vir”) – CUIDADO!

LEGÍTIMO/A …e não “lejítimo/a”

LESA-MAJESTADE – com hífen, tal como “lesa-pátria”, lesa-gramática”,…

LIAÇÃO – acto de liar, ligar; ligação …e não “liassão”

LIÇA – arena; luta, combate,… Dif. de LISSA, um cordel vertical, num tear vulgar.

LINGUISTA sem acento...e não "linguísta". CUIDADO!

LISONJEAR ...e não "lisongear". Com “J”, tal como o adj. “lisonjeiro” e o subst.“lisonja”.

LOBBY (anglicanismo) - Grupo organizado de pressão para atingir determinados objectivos ou para defender determinados interesses. Existe a forma aportuguesada “lóbi”.

LÓBULO – palavra esdrúxula. A parte inferior da orelha humana, de tecido mole.

LODO – sem acento … e não “lôdo” CUIDADO!

LOGÓTIPO ...mais correcto do que "logotipo". A forma esdrúxula ou proparoxítona (logótipo) é mais correcta, uma vez que o elemento de formação -tipo (do gr. týpos ‘marca, símbolo’) pressupõe a formação de palavras esdrúxulas e não graves (ex.: estereótipo, fotótipo). Apesar disso, a variante grave (logotipo) é bastante usual hoje em dia, pelo que já é registada em alguns dicionários de língua portuguesa actuais, sendo no entanto considerada menos correcta que a forma esdrúxula (logótipo).

LOJISTA ...e não "logista". CUIDADO!

LÚDICO – palavra esdrúxula que significa “recreativo”;” relativo a jogo ou divertimento”

LÚGUBRE – palavra esdrúxula e, como TODAS as esdrúxulas, com acento gráfico na antepenúltima sílaba. Significa “fúnebre”, “lutuoso”; “triste”, “soturno”.

- recolha e notas de Jorge MPG Sineiro, Dez. 2013

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sábado, 30 de novembro de 2013

«CRONIQUETA SEMANAL» – PARA ONDE NOS LEVAM?




 por Jorge MPG Sineiro, 30-11-2013

Na sua exortação, de título “Evangelii Gaudium" (A alegria do Evangelho) - documento de 84 páginas que é como que o programa oficial do seu papado - o Papa Francisco reconhece estar “aberto a sugestões” para reformar o papado e atacou o capitalismo sem limites como “uma nova tirania”, advertindo ainda que a desigualdade e a exclusão social "geram violência" no mundo e podem provocar "uma explosão"....
“Esta economia mata”, afirmou Francisco, que acrescentou: “hoje também temos de dizer ‘Tu não’ a uma economia de exclusão e desigualdade”.
Sejamos, ou não, adeptos da fé católica apostólica romana, conforta ouvir da boca deste humanista, escutado e respeitado por milhões de pessoas, palavras conscientes, avisadas e atentas ao mundo em que vivemos. Não nos deu nenhuma novidade o Papa Francisco, especialmente a nós, portugueses, que a cada dia mais vamos sentindo a presença de uma nova tirania, de uma crescente desigualdade e exclusão social, do real perigo de ruína em que se encontra uma democracia que já só o é à superfície. Mas foi salutar escutar as suas verdades e não as ver tratadas nos “media” em linguagem de eguariço pelos plumitivos do costume e os zoilos do regime, como exortações à violência ou ajustes de contas.
A política de empobrecimento seguida por este governo de rapazotes néscios e malsãos, em genuflexão perante uma nova Alemanha imperialista, é criminosa porque arrastará o país, e as futuras gerações, para a perda total da soberania e para assimetrias crescentes entre os muito ricos e os pobres. A economia não se desenvolverá como seria indispensável, os números do desemprego subirão, os jovens mais qualificados emigrarão, os reformados e os pensionistas não conseguirão alimentar-se e adquirir medicamentos, os empregados de hoje não terão nenhuma reforma amanhã, o direito à educação gratuita e universal terminará, o direito aos cuidados de saúde nos hospitais públicos será tendencialmente menor pois os privados crescem, mais e mais, para quem os pode pagar.
Portugal está a correr para ser uma colónia de férias de estrangeiros. Entretanto, grassa o tartufismo e as desbragadas patranhas dos governantes, o imobilismo e as facécias de bobo de um presidente da República que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição em vigor.
Esta economia mata. Esta política de destruição do estado social e de empobrecimento mata. Francisco afirmou-o. Em Portugal, os “perigosos esquerdistas” Adriano Moreira, Bagão Félix, Freitas do Amaral, Pacheco Pereira,… afirmaram-no. Soares avisou, em termos abertos, sem tibieza nem hipocrisia, embora num discurso ostensivamente provocatório para fazer o coelho sair da lura e a raposa da toca.
Ninguém faz maior apelo à violência do que os próprios representantes máximos do país com as suas práticas e leis aprovadas pelos seus funcionários partidários (“asinus asinum fricat”) na A. R.
Os extremismos são sempre perigosos e têm várias caras e, num rebanho de ovelhas mansas, pode bem esconder-se um lobo pirómano. Que se cuidem os opressores!


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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

ERROS FREQUENTES NA LINGUA PORTUGUESA – Letras I/J




IATE - Melhor do que "yacht", um neologismo.
ILAÇÃO ... e não "ilacção". Tal como: “dilação”
IMÉRITO - adj.” imerecido” - Dif. de EMÉRITO (muito versado em determinada matéria; insigne, distinto
IMERSÃO - Dif. de EMERSÃO (acto de sair da água).
IMIGRAÇÃO – (entrada num país para aí viver) Dif. de EMIGRAÇÃO (saída do país para ir viver nou...tro). Ou seja: Um “emigrante”, quando se instala num outro país passa a ser, lá, um “imigrante”.
IMINENTE - Dif. de EMINENTE (" Um perigo iminente", "um cientista eminente").
IMPLEMENTAR - É um anglicismo mal formado e sem sentido específico em português. Pode significar tudo: adoptar, começar, completar, desenvolver, executar, instaurar, tomar, vigorar, etc. etc. É aconselhável a adopção da palavra (mais) adequada.
INCLUSIVE ...e não "inclusivé".
INDISPENSÁVEL...e não "indespensável".
INFLAÇÃO ...e não "inflacção".
INFRA - As palavras formadas com este prefixo levam “hífen”, quando o segundo elemento começa por vogal, h, r ou s: (infra-som, infra-estrutura; infravermelhos).
INSOSSO ...preferível a "insonso".
INTER - As palavras fomadas com este prefixo levam “hífen”, quando o segundo elemento começa por h ou r. (interempresas; inter-resistente).
INTERCEPÇÃO - Dif. de INTERCESSÃO (Acto de interceder, pedido a favor de alguém)
INTERVEIO...e não "interviu"; Gerúndio: INTERVINDO e não "intervido". (Intervir conjuga-se como vir, exceptuando as 2ª e 3ª pess. sing. em que o verbo vir não leva acento agudo (vens e vem) – Pres. Ind. - intervenho, intervéns, intervém, intervimos, intervêm; Pret. Perf. Ind. -intervim, intervieste; interveio, interviemos, intervieram; Gerúndio: intervindo. São também compostos de “vir” e como ele se conjugam: advir, avir, convir, desavir, desconvir, entrevir, sobrevir,…
INTRA (intra-uterino;…mas… intramuros).
INVOCAR ...e não "evocar".
ÍPSILON ... ( esdrúxula ou proparoxítona que, como todas as palavras esdrúxulas, leva um acento na antepenúltima sílaba) …e não "ipslon".
IRRUPÇÃO (invasão súbita, correria ...e não "irupção".
ISOTÉRICA (linha que passa pelos pontos terrestres de igual temperatura média estival. - Dif. de ESOTÉRICA (diz-se da doutrina secreta, que alguns filósofos antigos só comunicavam a alguns discípulos; diz-se daquilo que tem a ver com conceitos que são muito teóricos e sem aplicação prática evidente; diz-se daquilo que é compreendido por apenas uns poucos escolhidos) e de EXOTÉRICA (Adj. - dizia-se de uma doutrina filosófica destinada a ser exposta em público; vulgar comum)

- Letra J

JAPONÊS (com acento circunflexo)…mas “japonesa” e “japoneses”, tal como Chinês e chinesa, chineses; ou Português e portuguesa e portugueses.
"JEANS" – Palavra já aportuguesada: JINES.
JEITO ...e não "geito"
JEROPIGA ...e não "geropiga".
JIBÓIA (jiboia, sem acento, pelo novo A.O.); tal como bóia/boia; jóia/joia;…
JOALHEIRO – o que trabalha em jóias/joias ou é negociante de jóias/jóias. Dif. de JOELHEIRO -que chega até (ou só até) ao joelho (ex.: botas joelheiras).
JUIZ (sem acento)...e não" juíz"; fem.: juíza; plural: juízes. (fem e pl. com acento agudo)
JUIZ DE DIREITO; JUIZ PRESIDENTE; JUIZ DE PAZ; JUIZ DE LINHA; SENHORA JUÍZA;… sem hífenes
JÚNIOR - palavra esdrúxula, portanto, com acento; pl.: JUNIORES, palavra grave quanto à acentuação e sem acento; e também sénior/seniores.
JUS (direito; fazer jus a = merecer algo ou esforçar-se muito por o alcançar) …e não "juz".

- recolha e notas de Jorge MPG Sineiro, Nov. 2013



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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

POVOS COM CULTURAS MUITO DIFERENTES DA NOSSA



 TRIBOS DO OMO

Onde vivem: Etiópia, África

O Omo é um importante rio do sul da Etiópia que corre inteiramente dentro dos limites do país, desaguando no Lago Turkana, na fronteira Etiópia-Quénia. Encontra-se ali, em construção, a gigantesca barragem de Gibe III, iniciada em 2006, para gerar energia eléctrica para Addis Abeba (capital da Etiópia). Muitos ecologistas opõem-se à sua construção, pois reduzirá o rio e eliminará as planícies alagadas de grande importância para os agricultores tribais do Vale do Omo.

O Vale do rio Omo é um território onde o homem ainda conserva comportamentos da África ancestral. Porém, a presença de missionários, turistas e comerciantes contribui para o acesso a produtos estrangeiros. Bebidas alcoólicas baratas e fortes, antes raras, já vêm deixando os seus efeitos nefastos nas várias tribos nativas.
Durante muitas gerações, essas tribos foram protegidas por montanhas e savanas contra o contacto com o mundo exterior. Mas o factor principal para mantê-las a salvo da “civilização” foi o facto de a Etiópia ter sido o único país africano a não ser colonizado pelos europeus. De modo que os habitantes das margens do rio Omo escaparam à influência nefasta da colonização e dos conflitos que esmagaram muitas outras sociedades. As tribos, até então, permaneceram intocadas, migrando e guerreando entre si, e convivendo de acordo com seus costumes, inexistentes em quase todas as outras regiões do país.

São muitas as tribos africanas que habitam as margens do rio Omo: Kara, Mursi, Suri, Nyangatom, Kwegu e Dassanech, entre outras, uma população de cerca de 200 mil pessoas. A riqueza mais importante desses povos são os pequenos rebanhos de bois e cabras, mas também trabalham na lavoura, irrigada com a água do rio.
As tradições e rituais destes povos são muitas e difíceis de compreender aos olhos de um ocidental. Apenas como exemplos, deixo algumas delas.

As mulheres «mursis» ainda usam discos labiais (pedaço circular de madeira ou cerâmica no lábio inferior) e cobrem o corpo com desenhos, símbolos da beleza feminina. O adorno labial é substituído de tempo em tempo para ampliar o local.

Os «suris» possuem suas temporadas de duelos, quando se vestem com armaduras de pele de cabra e usam bastões compridos no enfrentamento.

As mulheres «hamars» pedem para ser açoitadas até sangrar, num certo ritual. Há também o rito de iniciação para os meninos da tribo hamar, que devem correr pra cima do lombo do gado, provando que estão aptos a enfrentar a vida adulta.

Nos casamentos, realizados pela tribo «Kara», é oferecida uma cerveja feita de sorgo, aos convidados de todas as idades, inclusive crianças. As viúvas usam o luto tradicional: despem-se dos adornos, deixam o cabelo crescer e vestem apenas um couro grosseiro.

Há também a circuncisão feminina, comum em toda a Etiópia, e uma prática que é conhecida como “destruição do mingi” (mingi é uma espécie de azar extremo). Se uma criança nasce deformada, ou se os seus dentes superiores nascem antes dos inferiores, ou se nascer fora do casamento, ela é tida como mau agoiro. Por isso, deve ser sacrificada antes que o “mingi” se alastre.

Aos poucos, o governo etíope aumenta a sua influência sobre as tribos, impondo o seu código jurídico, na tentativa de abolir as práticas tradicionais nocivas, como o ritual de fustigação das mulheres, as lutas com bastões e a cerimónia de passar sobre o lombo do gado, etc.
Os jovens das tribos vão percebendo que é preciso procurar a paz entre eles, se quiserem sobreviver. Começam a entender que a tradição não pode ser levada a ferro e fogo, pois as coisas estão mudando. Alguns deles já estudam fora dali e possuem a consciência de que é preciso aceitar mudanças.

O fotógrafo alemão, Hans Silvester, que já esteve no Vale do rio Omo várias vezes, passou seis anos entre as tribos e ficou impressionado com as imagens colhidas, principalmente nas tribos Surma e Mursi, conhecidas pelas suas exuberantes pinturas corporais. Elas utilizam material vulcânico, para obter as mais diferentes cores e pintarem os corpos nus. Como adereços usam cascas, flores e folhagem. A natureza fornece-lhes um campo vasto de tinturas e enfeites.

Nas imagens, vemos crianças dos «Surma» e «Mursi» (tribos do sul da Etiópia) que vestiram as suas mais belas “roupas” e fizeram as mais criativas pinturas para serem fotografadas por Hans Silvester. Com lama do rio, frutas, pedra moída, flores, ramos e até urina de vacas, criam verdadeiras obras de arte nos seus corpos.

- Fontes:
- National Geographic/ Edição 120
- Vídeo sobre Hans Silvester

- Recolha e adaptação por Jorge MPG Sineiro, Nov. 2013
 
 


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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

FOTOS DO PASSADO QUE VALEM MIL PALAVRAS



"Cada alegria é um proveito, e um proveito é um proveito, por mais pequeno que seja." - Robert Browning

UM MENINO AUSTRÍACO RECEBE SAPATOS NOVOS, DURANTE A 2ª GUERRA
 


Sino tocado pelo Sineiro em 27.11.13 - 4 badaladas

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