O PLÁGIO CONSTITUI CRIME punível com pena de prisão até 3 anos pelo artº197 da lei 16/2008,de 01 de Abril, a mesma que, no seu artº1, ponto 1, refere que estabelece medidas e procedimentos necessários para assegurar o respeito dos direitos de propriedade intelectual.
O artª180, no seu ponto 3, diz: "Presume-se artista,intérprete ou executante,aquele cujo nome tiver sido indicado como tal nas cópias
autorizadas da prestação e no respectivo invólucro ou aquele que for anunciado como tal em qualquer forma de utilização lícita, representação ou comunicação ao público."
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terça-feira, 13 de março de 2007
Um monstro do rock'roll
Eric Clapton`s Layla unplugged
Eric Clapton, aliás Eric Patrick Clapp, nasceu em 30 de Março de 1945 em Ripley, uma pequena cidade situada a 45 km de Londres. Aos 3 anos, os avós ofereceram-lhe a sua primeira guitarra.
Na adolescência descobre os blues e mais particularmente Muddy Waters. Esse facto dá-lhe a ideia de formar uma primeira banda que terá uma existência efémera, os Roosters.
No ano seguinte, em 1964, integra formações mais consagradas. Assim, junta-se aos Yardbirds, com os quais grava dois álbuns: Five Live Yardbirds e Sonny Boy Williamson & The Yardbirds.
Depois separa-se deles, sendo substituído por dois outros guitarritas lendários: Jeff Beck et Jimmy Page (futuro Led Zeppelin).
Em 1966 junta-se a John Mayall e aos seus Bluesbreakers, com os quais se afirma como um virtuoso da guitarra.
Nova mudança em 1967. Clapton forma o grupo Cream com Jack Bruce e Ginger Baker. Resultado: três albuns inesquecíveis.
Durante três anos, porém, entra no mundo da droga.
Cria depois as formações Blind Faith e Derek & The Dominos. E é com estes últimos que concebe a famosa composição Layla. Uma homenagem a Pattie Boyd, a mulher do seu amigo George Harrison, da qual se enamorou. (Título publicado em Novembro de 1970)
Tornando-se vocalista , é igualmente um ídolo para numerosos guitarristas, conhecidos ou não. Jimi Hendrix presta-lhe um verdadeiro culto...
Apelidado a partir de então como "God", lança-se a solo. Álbuns como 461 Ocean Bvd ou Slowhand, êxitos como Cocaïne ou I Shot The Sheriff - reprises de JJ Cale e de Bob Marley, muito fazem pela sua popularidade.
Os anos 80 parecem ser uma travessia do deserto para Clapton que, no entanto, se reconstrói pouco a pouco. Eric é o feliz papá de um rapazinho, Connor, que tragicamente desaparece a 20 de Março de 1991 ao cair de uma janela do 53º andar de um prédio de New York. E, deste dramático acontecimento, nasce a comovente canção Tears In Heaven, extraída da banda sonora do filme "Rush".
Regressa ao primeiro plano já previsto com um magnífico álbum acústico, Unplugged, que vende perto de 10 milhões de unidades e que contem especialmente uma versão sublime de Layla.
Nos anos 90 Clapton sossega e amadurece. Usa óculos e encontra uma certa forma de serenidade.
Em 2001, surge Reptile que precede uma tournée mundial e que é gravada no DVD "One More Car, One More Rider", captado no Staples Center de Los Angeles.
Em 2004, este monumento do rock'n'roll presta homenagem a um dos seus mestres do início, o bluesman Robert Johnson , a quem saúda em Me & Mr Johnson.
Richard Wagner (1813-1883), que se auto-proclamava "o mais alemão dos homens", "o espírito alemão", não ficou famoso somente pelas suas 13 óperas e inúmeras outras composições mas também por causa da sua inevitável influência no conhecimento que temos da cultura e história alemãs. Wagner foi classificado como anarquista e socialista e, simultaneamente, como um pro-fascista e nacionalista, como um vegetariano e um anti-semita... surgindo o seu nome, na realidade, ligado a quase todas as tendências principais da história alemã dos sécs. XIX e XX. Para além de compositor e libretista, Wagner escreveu um espantoso número de livros e artigos, cerca de 230 títulos, indo o seu espectro literário desde teorias de ópera até programas políticos. Somando a estas actividades, deixou ainda cerca de 10 mil cartas.
Richard Wagner foi indubitavelmente uma das figuras de topo do séc.XIX e já no seu tempo era fonte de debate e de controvérsia. Quando faleceu, em 1883, foram escritos mais de 10 mil livros e artigos sobre ele, e esse número tem-se multiplicado desde então. Wagner inspirou músicos e compositores, mas igualmente artistas de outras áreas como foi o caso do famoso pintor alemão Ferdinand Leeke (1859-1925), que ilustrou algumas das suas óperas. Uma das facetas interessantes e ainda hoje um pouco negligenciadas do compositor é a memorabilia e cultura popular inspirada na sua personalidade.Siegfried Wagner, seu filho e de Cosima von Bülow, filha de Franz Liszt , foi também compositor de ópera, tendo até escrito mais óperas do que o pai!
Siegfied Wagner (1869-1930)
Todo este trabalho sobre Wagner, compositor que nem é do meu agrado, foi-me sugerido por uma notícia de há um par de dias lida no CM. O austero autor de " O Holandês Voador" (1840-41 e estreado em 1843) ; "O Anel do Nibelungo"(1876) ; "Tristão e Isolda" (estreado em 1865, embora terminado 6 anos antes) ou "Parsifal" (1882, cerca de um ano antes da sua morte), era referido nessa notícia como tendo, provavelmente, tendências travestis. Com uma vida privada tão criativa como a pública, Wagner mudava frequentemente de casa e de mulher, ora perseguido por furiosos credores, ora por maridos ultrajados. Foi o que ocorreu em Munique quando teve de fugir com Cosima, filha de Liszt e mulher do maestro Hans von Bülow.
R. Wagner e Cosima
Ora, numa das milhentas cartas, esta de 1874, Wagner solicitava a uma casa de moda de Milão um vestido supostamente para a mulher, Cosima. Numa outra, endereçada ao mesmo costureiro milanês e datada de 1869, pode ler-se que o compositor encomendava "um colete de cetim negro que possa ser usado tanto na rua, com ou sem casaco, como em casa, como uma combinação". Indicações exaustivas de detalhes particulares a incluir nos modelos encomendados ameaçam denunciar fetiche travesti. Segundo uma publicação alemã "The Wagner Journal", o seu interesse "nas minúcias da roupa feminina" evidencia "um lado feminino muito pronunciado" e a mesma fonte avança dois diagnósticos possíveis: ou o compositor sofria de travestismo ou de uma doença de pele, a erisipela, que provoca irritação cutânea e obriga ao uso de tecidos como o cetim e a seda.
Mas um estudioso de Wagner, Joachim Kochler, autor de "R. Wagner - o último dos titãs", chega a uma muito singela conclusão. É que, afinal, o génio "precisava de uma aura de feminilidade para estimular os sentidos".
Faz amanhã, 23 de Fevereiro, 20 anos que Zeca deixou de escrever e de interpretar as suas cantigas. Ao longo de muitos anos, quase às escondidas, habituei-me a ouvir cantar a verdade do sofrimento de um povo e o relato das suas mais populares tradições. Hoje, continuo a escutar Zeca Afonso, com o mesmo prazer e por razões algo semelhantes. Zeca está vivo em mim. - JPG José Afonso (2-Ag.-1929/23-2-1987)
ZECA - A INFÂNCIA
José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos nasceu a 2 de Agosto de 1929, em Aveiro, "na parte da cidade voltada para o realismo e para o mar". Quando o pai, José Nepomuceno Afonso, foi colocado em Angola, em 1930, como delegado do Procurador da República, Zeca Afonso permaneceu em Aveiro por razões de saúde, confiado aos cuidados da tia Gigé e do tio Xico, um "republicano anticlerigal, anti-sidonista. Um homem impoluto". Tinha então um ano e meio e cresceu numa casa situada na Fonte das Sete ( ou cinco?) Bicas, rodeado da ternura fraterna das primas e dos tios.
De 1932 a 1937 José Afonso viveu com os pais e irmãos em Angola, deslumbrando-se com a imensidão africana. A relação física com a natureza causou-lhe uma profunda ligação ao continente africano que se reflectirá pela sua vida fora. As trovoadas, a floresta, os grandes rios atravessados em jangadas, esconderam-lhe a realidade colonial. Só anos mais tarde, ao exercer a docência em Moçambique, conhecerá a fotografia amarga da sociedade colonial moldada ao estilo do "apartheid" de Pretória. Em 1937 volta para Aveiro, onde é recebido por tias do lado materno, e no mesmo ano parte para Moçambique. Em Lourenço Marques reencontra-se com os pais e irmãos, com quem viverá pela última vez em conjunto até 1938. Quando voltou para o continente, em 1938, José Afonso foi para casa do tio Filomeno, então presidente da Câmara, em Belmonte. No ano seguinte os pais já estavam em Timor, onde seriam cativos dos ocupantes japoneses durante três anos, até 1945. Foram três anos sem notícias deles. Em Belmonte, Zeca Afonso completou a instrução primária e viveu o ambiente mais profundo do salazarismo, de que seu tio era fervoroso admirador. "Foi o ano mais desgraçado da minha vida", confidenciou. Pró-franquista e pró-hitleriano, o tio de José Afonso levou-o a envergar a farda da Mocidade Portuguesa. Mas com a chegada a Coimbra em 1940, instalado em casa de uma tia devota, as suas pulsões mais íntimas sobrepuseram-se às influências familiares.
COIMBRA E A LENDA COIMBRÃ
José Afonso começa a cantar por volta do 5º ano do Liceu D. João III e a sua voz ecoa pela cidade velha.
Os tradicionalistas reconheciam-no como um bicho que canta bem. Em Coimbra passa pelas Repúblicas, onde conheceu a amizade e a farra académica. Seduzido pela cidade, tem os primeiros cantactos com clubes recreativos, joga futebol na Académica ("Entreguei-me completamente à mística da chamada Briosa") e acompanha a equipa um pouco por toda a parte. Nas colectividades conhece "gajos populares", entre os quais Flávio Rodrigues, que admira como exímio tocador de guitarra, para si superior a Artur Paredes. Inicia-se em serenatas e canta em "festarolas de aldeia. Um sujeito qualquer queria convidar uns tantos estudantes de Coimbra, enchia-lhes a barriga e a malta cantava..." Como estudante integrou várias comitivas do Orfeão Académico de Coimbra e da Tuna Académica da Universidade de Coimbra, nomeadamente em digressões pelo Continente e por Angola e Moçambique. O fado de Coimbra lírico e tradicional era superiormente interpretado por si. A praxe académica e a boémia encheu-lhe tardes e noites gloriosamente coimbrãs. É o tempo das boleias e da capa e batina ("Porque um tipo de capa e batina é rei das estradas"), que lhe permite os primeiros contactos com os meios sociais miseráveis do Porto, no Bairro do Barredo, fonte de inspiração para a sua balada "Menino do Bairro Negro". José Afonso foi envolvido pela lenda coimbrã, com o encantamento das suas tradições, que simultaneamente o atraíam e causavam repulsa.