E Paços de Ferreira repetiu-se. Nos últimos lances dos encontros o Benfica foi derrotado após ter estado a ganhar durante largo período de tempo. E não venha o treinador atirar com poeira para os olhos dos adeptos. A equipa não soube controlar a reacção do oponente, nem sequer o resultado mínimo: o empate. O Rio Ave venceu e venceu muito bem. Atirou ainda uma bola ao poste e desperdiçou uma claríssima ocasião de golo, contra uma de Lima. Os homens de Pedro Martins tiveram mais vontade de vencer, mais arreganho e praticaram bom futebol.
Aliás, o Benfica, fora da Luz e contra equipas que sabem jogar à bola foi derrotado por 3 vezes: Braga, Paços de Ferreira e agora, Rio Ave; no Porto e em Alvalade, venceu um e empatou com o outro jogando claramente à defesa, e acabando por beneficiar de um FCPorto com um treinador a engatinhar e, em Alvalade, de um S.Jardel que conseguiu o golo do empate nos últimos suspiros do encontro.
Dir-se-á que o FCPorto não fez muito melhor na Madeira mas, ainda assim, esteve muito mais perto de conseguir vencer.
Continuo sem perceber o que levou Jesus a optar por Talisca na substituição do destemperado Gaitán que se fez admoestar com um cartão amarelo no último jogo e, assim, não pôde jogar em Vila do Conde.
O Benfica perdeu e perdeu por culpas próprias, sem maus julgamentos do árbitro como Jesus afirmou, e por grande dose de brio, de entrega e de acerto do treinador do Rio Ave que, ainda para mais, cedo se viu sem dois dos seus mais importantes jogadores; o central Marcelo e o perigoso Hassan que o Sporting cobiça e bem.
Agora, FCPorto e Benfica dependem ambos de si próprios. Chegará ao fim em primeiro lugar a equipa que mais "raça" demonstrar e melhor souber gerir os elevados níveis de ansiedade que irão defrontar nos próximos jogos, para além do que os adversários puderem fazer, é claro.
Os homens do Porto têm, claramente, melhores opções e só um Benfica de grande alma, alta concentração competitiva e um colectivo forte e muito unido poderá almejar ser campeão.
O meu Benfica não pode voltar a tentar fazer o que não sabe: controlar o jogo com o resultado periclitante, assente numa vantagem de um magro golo. Falhámos rotundamente em Braga, em Paços de Ferreira e em Vila do Conde. O grau de tolerância, agora, é zero.
- texto de Jorge P. G. escrito, por opção, na antiga ortografia