
Perdido no espaço e no tempo
Tento agarrar-me a uma via láctea que me conduza
como o cão guia o cego
tudo dando e sem nada pedir, a dádiva total
Contra, há a inalterável força terrestre
que nos tolhe os membros
e absorve a esperança de partir
à descoberta de novas experiências, de afectos esquecidos.
Tento parar para respirar e não respiro
quero ser e não ser
reviver a paz antes alcançada
e agora, sei-o, eternamente ameaçada
Não alcanço a felicidade
Sou náufrago sem saber nadar
cedo à minha vontade e não sou eu
apenas aquela parte ruim que de mim restou num dia de outono
Um poema de Jorge P. Guedes, Fev, 2011